Todo tipo de ambiente requer algumas técnicas específicas de limpeza e esse cuidado deve se multiplicar quando o assunto é a higiene hospitalar, por ser um ambiente com uma enorme quantidade de pessoas com vários tipos de enfermidades entrando e saindo o dia todo.
Infelizmente, não é incomum sintomas de viroses ou infecções se iniciarem depois de uma estadia em pacientes de um hospital, às vezes até mesmo após receber alta, isso se dá por agentes infecciosos que contaminaram os equipamentos e superfícies do hospital, e consequentemente, também os pacientes que estão em frequente contato com esses objetos. Essas doenças originadas nas casas de saúde são chamadas de Infecções Hospitalares (IH).
Portanto, não é exagero dizer que tanto trabalhadores quanto pacientes de um hospital estão sujeitos a riscos físicos no ambiente hospitalar. Esses riscos são diversos, podendo ser ocasionados por agentes como o calor, ruídos, radiações ionizantes, radiações não ionizantes e pressões anormais.
É por tal motivo que pessoas que atuam em unidades médicas devem sempre seguir normas de biossegurança.
O que é biossegurança?
A biossegurança hospitalar é um conjunto de medidas que procura reduzir, ou mesmo erradicar, os riscos característicos das atividades que acontecem no setor de saúde. O nome pode sugerir algo difícil, mas comportamentos simples como utilizar equipamentos de proteção, evitar materiais tóxicos e seguir as regras de segurança do hospital fazem parte dessas medidas preventivas.
Ainda assim, muitos hospitais continuam a cometer erros em relação à biossegurança por falta de conhecimento ou pura falta de atenção.
Nomearemos aqui alguns desses erros.
- Falta de consciência dos trabalhadores
A higiene pessoal de enfermeiros e médicos têm um papel importante contra a propagação dessas bactérias. Por isso é importante separar um lugar para os funcionários deixarem seus uniformes de trabalho separados das vestimentas pessoais. Esse contato evita que germes cheguem aos espaços previamente esterilizados, ou que os levem para fora do hospital.
Ainda falando das vestimentas, os médicos e enfermeiros devem ficar atentos para não sair pela rua com avental usado nos hospitais – o que nós vemos acontecer com frequência, sejamos sinceros. O avental deve ficar no hospital, é uma questão de limpeza e de biossegurança.
Outro bom exemplo de um erro comum é a higienização incorreta das mãos, que pode ser a porta de entrada para inúmeras infecções e doenças.
A higienização das mãos é uma das principais normas de biossegurança em hospitais e clínicas médicas. Elas devem ser sempre lavadas e limpas com álcool gel, antes de ser feita a administração de medicamentos ou atendimento ao paciente para a execução de exames e procedimentos.
A ideia é que a higienização das mãos evite que os profissionais da saúde contaminem-se com doenças tidas pelos pacientes, assim como evitar o contágio para outros pacientes, quando o médico finaliza o atendimento com uma pessoa e logo em seguida atende a outra.
- Cuidados com os cabelos
Puxando o tema de vestimentas e acessórios, os profissionais que possuem cabelos compridos devem cuidar para que eles estejam sempre presos, de preferência com um coque.
Isso se justifica porque os cabelos soltos podem ser agentes transmissores de doenças em locais contaminados. Por isso, é importante que os fios estejam sempre presos, para preservar a saúde dos profissionais e dos pacientes.
- Falta de uso do Equipamento de Proteção Individual (EPI)
Estes equipamentos são responsáveis por proteger cada trabalhador individualmente, além de minimizar os riscos ambientais. Os EPIs evitam as doenças ocupacionais, acidentes, e promovem o bem-estar do profissional. São eles: jalecos comuns e impermeáveis; luvas descartáveis, máscaras comuns e respiradores para proteção da boca e nariz; óculos de proteção; protetor facial; sapatos fechados; entre outros.
Esses materiais oferecem proteção contra respingos de materiais biológicos e substâncias reagentes; contato com matérias irritantes, contaminantes, tóxicas ou corrosivas; aspiração de gases e substâncias tóxicas que podem comprometer o aparelho respiratório; inalação de agentes infecciosos e vapores intoxicantes.
- Descarte incorreto de resíduos hospitalares
O descarte incorreto desses resíduos pode favorecer a proliferação de insetos, roedores e vetores. Por isso eles devem ser descartados de forma correta e enviados para locais especializados em lixos contaminados. E claro, sinalizados de forma correta.
Caso esses resíduos sejam descartados de forma incorreta, ou seja, sem sinalização correta nas sacolas e serem recolhidos por lixeiros comuns, esses catadores de lixo, não sabendo do que se trata, podem se contaminar com a matéria orgânica no lixo. Podendo também infectar outras pessoas que venham a mexer no lixo, como catadores ou recicladores, e ainda seus familiares.
São exemplos desses resíduos as seringas, curativos usados, agulhas de injeção, entre outros.
Recomendamos que leia nosso texto “Lixo hospitalar: conheça seus impactos na saúde pública” para entender melhor esse tópico.
- Vacinação
Também é importante que os profissionais da saúde percebam a relevância de estarem sempre vacinados. Somente assim eles poderão prevenir-se de serem contaminados com doenças que os pacientes podem conter.
O próprio estabelecimento da saúde pode ter um calendário para que os seus colaboradores estejam sempre vacinados.
- Deixar de ler as recomendações de novos produtos químicos
A biossegurança sofre quando novas versões de produtos chegam às mãos de profissionais de saúde e os mesmos deixam de verificar as recomendações.
A experiência faz com que muitas atividades sejam hábitos corriqueiros, deixando o colaborador mais a vontade para “afrouxar as rédeas”, por assim dizer, quando se trata de atenção com os novos produtos.
Isso acontece quando os profissionais acreditam que a nova fórmula funciona da mesma maneira que a antiga. Este engano pode causar grandes problemas e realmente botar em risco a vida de muitas pessoas, principalmente crianças e idosos.
As recomendações, ou a famosa “bula”, devem ser analisadas e estudadas cuidadosamente, a cada nova fórmula oferecida do medicamento.
- Falta de treinamento
Todos os colaboradores da clínica ou do hospital, independentemente de seu nível hierárquico, devem ser conscientizados sobre a biossegurança. É por isso que os gestores desse tipo de estabelecimento devem promover treinamentos e assim garantir que as boas práticas sejam realizadas.
Além dos treinamentos, ações de comunicação interna podem ser adotadas, como a criação de informativos e palestras.
Além destes mencionados acima, outros erros que merecem ser citados são: negligências às medidas de prevenção a acidentes de trabalho; negligência das condições de armazenamento de materiais e produtos; falta de/ou uso incorreto do equipamento de esterilização; ausência de limpeza do final do dia; equívocos de fiscalização; e inexistência de manutenção nos equipamentos hospitalares.
Neste texto falamos sobre 7 erros cometidos na biossegurança que são prejudiciais à saúde de trabalhadores e pacientes. Para mais aprofundamento deste assunto, recomendamos que leia nossos textos “Higienização hospitalar: entenda a importância para não correr riscos” e “10 dicas de segurança para evitar riscos biológicos em hospitais”.
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