Você sabe como fazer o descarte do lixo hospitalar corretamente? Sabe a importância desse processo para a saúde, não só humana, mas dos animais e meio ambiente?
Os resíduos de serviços de saúde, mais conhecidos como resíduos hospitalares ou lixo hospitalar, são qualquer detrito produzido por instituições de saúde, como hospitais, laboratórios, farmácias, consultórios, veterinários; ou qualquer outro lugar que haja perigo de transmissão de infecção, como, por exemplo, os estúdios de tatuagem.
Mas para o bem deste texto vamos nos concentrar nas casas de saúde e a importância de realizar uma segregação e descarte desses resíduos para a saúde humana, animal e ambiental.
Dados estatísticos do Ministério do Meio Ambiente indicam que o Brasil produz aproximadamente de 625 a 1,250 toneladas de lixo hospitalar por dia. Do total recolhido, cerca de 87% são lançados a céu aberto ou em aterros feitos sem controle sanitário.
Estudos do site “Competências em Controle de infecção Hospitalar”, site conhecido por seus cursos, artigos e informativos sobre infecção hospitalar, indicam que isso se deve aos trabalhadores de enfermagem, “ainda carecerem de informações sobre o tema, expressando desconhecimento a respeito do processo de gerenciamento de resíduos”.
Por isso vamos explicar como esse gerenciamento é realizado, seguindo as determinações regulamentadas e inspecionadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA.
Desde o início da década de 90, os esforços para o correto gerenciamento dos resíduos de serviços de saúde vêm sendo analisados e empregados. Um marco deste esforço foi a publicação da Resolução CONAMA no 005/93, que definiu a obrigatoriedade das casas de saúde em elaborarem o PGRSS (Plano de Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde). Este esforço se reflete, na atualidade, com as publicações da RDC ANVISA no 306/04 e CONAMA no 358/05.
Separação
A Anvisa estabeleceu regras nacionais para a separação, acondicionamento e tratamento desses resíduos. Começando pela separação dos mesmos em cinco classes.
● Grupo A – Potencialmente infectantes: considerado o mais perigoso. São aqueles que contêm agentes biológicos e que apresentam risco de infecção como: bolsas de sangue contaminadas, membranas e excreções.
● Grupo B – Químicos: materiais que contenham substâncias químicas e que sejam capazes de causar risco a saúde humana, animal e ao meio ambiente, exemplos: resíduos saneantes, desinfetantes e desincrustante; medicamentos para tratamento de câncer, reagentes para laboratório e substâncias utilizadas para revelação de exames.
● Grupo C – Rejeitos radioativos: materiais que possuam radioatividade em carga acima do normal, que não possam ser reutilizados, como: exames de medicina nuclear ou radioterapia.
● Grupo D – Resíduos comuns: qualquer lixo hospitalar que não apresente estar contaminado, ou seja, sem a presença de riscos biológicos químicos e radioativos, como: gessos, luvas, gazes, materiais passíveis de reciclagem e papéis.
● Grupo E – Perfurocortantes: os materiais que podem causar cortes e perfurações, como: agulhas, escalpes, lancetas e ampolas.
Acondicionamento e Descarte
Consiste no ato de embalar os resíduos segregados, em sacos ou recipientes que evitem vazamentos e resistam às ações de punctura e ruptura. A capacidade dos recipientes de acondicionamento deve ser compatível com a geração diária de cada tipo de resíduo.
Os resíduos sólidos devem ser acondicionados em sacos resistentes e impermeáveis, de acordo com a NBR 9191/2000 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Deve ser respeitado o limite de peso de cada saco, além de ser proibido o seu esvaziamento ou reaproveitamento.
Colocar os sacos em coletores de material lavável, resistente ao processo de descontaminação utilizado pelo laboratório, com tampa provida de sistema de abertura sem contato manual, e possuir cantos arredondados.
Os resíduos perfurocortantes devem ser acondicionados em recipientes resistentes à punctura, ruptura e vazamento, e ao processo de descontaminação utilizado pelo laboratório.
Sobre o descarte, uma das práticas mais usadas é a incineração dos lixos infectantes. No entanto, essa prática libera cinzas contaminadas com substâncias nocivas à atmosfera, como as dioxinas e metais pesados, que aumentam a poluição do ar.
Essas são as instruções gerais para os processos de acondicionamento e descarte. Nós abordamos ambos os assuntos mais profundamente neste texto (Quais são os tipos de resíduos hospitalares e como classificá-los), separando o melhor tipo de acondicionamento e descarte para cada classe.
PGRSS
O PGRSS deve contemplar informações sobre a segregação, acondicionamento, coleta, armazenamento, transporte, tratamento e disposição final, garantindo os cuidados mínimos para a saúde pública. No site da Anvisa, há o Manual de Gerenciamento de Resíduos com mais informações sobre as exigências e detalhes da elaboração desse documento.
O tratamento do lixo hospitalar exige muita atenção e cuidado em todos os processos. Assim, quem atua na gestão de saúde precisa estar a par das normas e direcionamentos estipulados pelos órgãos competentes.
O bom gerenciamento objetiva proteger a saúde da população, reduzir os riscos operacionais durante o manejo e evitar que os insumos prejudiquem o meio ambiente.
Os resíduos infectantes, por exemplo, são os mais perigosos, porque sem o descarte correto, acabam indo para os aterros sanitários, o que prejudica muito tanto o solo em que acabam ficando, quanto a saúde das pessoas ao redor.
Os resíduos cortantes também devem ter atenção redobrada, já que, assim como os infectantes, acabam nos aterros e podem prejudicar acabar cortando e infectando catadores de lixo, por exemplo.
A gestão hospitalar precisa se adequar às normas estabelecidas, já que elas influenciam no nível de qualidade do gerenciamento dos resíduos hospitalares. Ou seja, é fundamental estar em conformidade com os protocolos propostos pelas esferas municipais, estaduais e federais.
Você pode escolher entre contratar empresas de descarte de lixo hospitalar, ou optar por fazer o processo internamente. Caso resolva fazer o processo internamente, terá que treinar muito bem uma equipe especial de colaboradores para isso. A única condição é ter certeza de estar seguindo as regras para não prejudicar as pessoas, meio ambiente e até o nome do seu hospital.
Caso escolha contratar uma empresa especializada, tenha certeza que empresa tenha Licenciamento Ambiental para gerenciar o lixo hospitalar, a licença de operação (LO) e os documentos de monitoramento ambiental previstos no licenciamento.
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