Podemos ver em muitos noticiários relatos de invasões, roubos e furtos em condomínios residenciais, e essas notícias se tornam cada vez mais recorrentes mesmo que os prédios residenciais devessem ser, supostamente, muito mais protegidos e investidos na segurança que uma casa.
É raro falarem, porém, o porquê de a invasão ter sido possível em primeiro lugar; quais foram os erros cometidos na segurança, na estrutura do prédio, ou até na rotina dos colaboradores que contribuíram para esse acontecimento.
Não estamos querendo jogar a culpa no síndico e nos moradores, porém, queremos destacar algumas vulnerabilidades na segurança do condomínio que podem estar diretamente relacionadas à gestão do residencial e/ou maus hábitos dos condôminos.
Primeiro de tudo, vamos entender a diferença de alguns termos para melhor entender esse texto.
Ameaça ou risco: pessoa ou situação com potencial, ou possibilidade de gerar danos a segurança do condomínio.
Fator de risco: a origem do risco ou ameaça.
Vulnerabilidade: qualquer falha na segurança, seja por erros tecnológicos ou humanos, capazes de deixar brechas para ameaças ou riscos.
Avaliação de riscos: processo de avaliar as falhas, com o objetivo de providenciar equipamentos e práticas de forma a eliminar essas brechas.
Conhecer a diferença entre esses itens é essencial para formalizar um Plano de Segurança, um conjunto de ações com o objetivo de programar e garantir a segurança dos moradores e do patrimônio condominial, com o investimento proporcional aos riscos identificados no local.
Esse plano deve ser elaborado com o auxílio de um profissional qualificado e conhecedor dos conceitos e técnicas relacionadas às Atividades de Segurança Privada.
O conhecimento técnico desse consultor e a exposição das necessidades do síndico e condôminos vão trazer à tona as vulnerabilidades do condomínio e facilitaram a escolha de possíveis soluções, sejam elas tecnológicas ou novos hábitos adequados para a segurança. É com base no histórico e avaliação bem feita do prédio, que o excelente Plano de Segurança é feito.
Agora que você está familiarizado com os termos corretos, vamos falar dos pontos vulneráveis mais comuns nos condomínios. Lembrando que falaremos de uma forma geral, possíveis razões que para a falta de segurança. Para um detalhe completo para o seu condomínio específico, você deve contratar um profissional para avaliar seu prédio pessoalmente.
Dito isso, vamos às falhas!
Não ter o Plano de Segurança
Primeiro de tudo, reforçamos que é importantíssimo e essencial que o seu projeto de segurança seja exclusivamente seu, específico para o seu condomínio, e elaborado por consultores profissionais.
De forma alguma você deve copiar o Plano de outro condomínio, pegar da internet ou criar você sozinho e aplicá-lo ao seu prédio. Fazer isso, definitivamente é uma abertura enorme para erros e para entrada de criminosos na sua residência.
Além disso, o mais adequado é que o consultor escolhido seja independente e não vinculado com nenhuma empresa, já que sempre há o perigo de o consultor ser condescendente com alguns erros só porque a empresa para qual ele trabalha não oferece a solução para aquele problema. Acontece!
Sem um plano de ação, os próprios moradores começam a definir os itens de segurança na medida em que surgem as necessidades, o que faz com as falhas só sejam percebidas quando é tarde demais.
Porteiros mal-treinados
De fato, as últimas invasões ocorridas revelam um problema sério na portaria: a falta de treinamento dos porteiros.
Entre os golpes mais famosos sofridos por condomínios estão aqueles em que bandidos se passam por oficiais de justiça, funcionários de empresas e até de órgãos públicos, podendo também se passar por familiares de um morador ou alguém querendo ver um dos apartamentos para alugar.
Um porteiro mal treinado vai se convencer facilmente com a história criada e não pensa duas vezes ao deixar a pessoa desconhecida entrar, sem fazer registro do nome e horário de entrada, diga-se passagem!
Geralmente esse tipo de invasão é diferente de um arrastão. Essa pessoa tem um alvo específico em mente e já analisou a rotina da vítima com antecedência para conseguir realizar o assalto, geralmente conseguindo sair do condomínio com coisas valiosas na mochila como se nada tivesse acontecido.
É por isso que treinar os porteiros corretamente é tão importante!
Devemos evitar os erros humanos o máximo possível! Uma situação que pode ajudar bastante é fazer uma simulação “com pegadinha para tentativa de entrada no condomínio e avaliação da atuação dos controladores”, surpresa para o seu porteiro.
Sabemos que muitos síndicos não têm tempo para treinar pessoalmente os porteiros e contratar alguém para fazer isso especificamente acabaria muito caro, já que o treino deve ser realizado continuamente, pelo menos duas vezes por mês.
Nesses casos o mais recomendado seria terceirizar o porteiro ou contratar o sistema de Portaria Virtual. Existem muitas empresas que oferecem esse serviço. Com ele o porteiro é devidamente treinado na sede da empresa terceirizada, especializando o profissional para responder em diversas situações. Já a Portaria Virtual por si só elimina os erros humanos na guarita.
Moradores “mal-treinados”
Não podemos nos esquecer que precisa haver normas e procedimentos também para os condôminos, já que eles são outro agravante a ser considerado.
Mesmo que o condomínio tenha todos os equipamentos de segurança exigidos para uma boa segurança eletrônica e os colaboradores estejam devidamente treinados, não vai adiantar nada se os condôminos não colaborarem também.
Situações simples como deixar o portão aberto para outra pessoa por questão de cordialidade, não abaixar o vidro do carro para que o porteiro possa vê-los ao entrarem na garagem, não dar uma lista de visitantes e pessoas confiáveis para o porteiro, exigir que deliverys entrem no prédio para fazer a entrega, são todas situações que podem abrir uma leva de problemas na segurança de todo mundo.
O que se pode fazer é programar treinamentos e comunicados periódicos aos moradores, orientando-os sobre as regras de segurança, como, por exemplo, os treinamentos de incêndio. É importante que sejam treinos constantes, assim como o dos colaboradores, pois é muito fácil os condôminos voltarem para a zona de conforto depois de um tempo.
Aproveite também as assembleias para dar avisos e lembrá-los das práticas mais simples de segurança e distribua panfletos em quadros de avisos pelo prédio. Aqueles que insistirem com os maus hábitos, sempre é possível aplicar uma multa.
Mas atenção, a possibilidade dessa multa deve estar expressa no contrato de aluguel do condômino desde o início, e se for implementá-la a partir de agora, deve avisar a todos os moradores que o contrato de aluguel vai mudar na próxima renovação.
Péssima terceirização
Pode parecer maluco, irônico até, mas às vezes o sistema de segurança é o grande causador dos problemas.
No contrato de um porteiro terceirizado ou da Portaria Virtual, a responsabilidade pelo funcionamento do sistema 24h e do treinamento do colaborador deve ficar a cargo da empresa prestadora, afinal ela serve justamente para tirar esse peso das suas costas e minimizar suas preocupações.
Portanto, se a empresa só estiver jogando problemas com colaboradores e defeitos no sistema no seu colo, é hora de trocar de terceirizada. Recomendamos isso porque essa situação implica que essa empresa é mal organizada, não sabe gerenciar seus colaboradores e não está cumprindo com a premissa que ela se comprometeu a fazer: diminuir sua carga de trabalho e otimizar sua segurança!
Uma boa empresa terceirizada deve oferecer suporte de sistema e de colaboradores, controle de acesso de carros e pedestres, alto nível de equipamentos de segurança tecnológicos, e ainda oferecer garantias em contratos, como SLAs.
Equipamentos obsoletos
Equipamentos que estão sempre quebrando ou são facilmente desarmados pelos bandidos não podem ser considerados sequer aparelhos de segurança.
Existem vários aparelhos tecnológicos no mercado para resolver esse problema, como foi mencionado em nosso texto Utilizando-se de tecnologia para melhorar o condomínio.
Câmeras inteligentes, biometria e tags são apenas algumas das inúmeras opções para monitorar, controlar acesso, detectar e bloquear a presença de estranhos dentro e no perímetro do condomínio.
Também não adianta investir uma vez e não fazer a manutenção preventiva. Ela é importantíssima para preservar o equipamento e economizar em eventuais consertos.
Neste conteúdo falamos sobre algumas ameaças para a segurança de condomínio. Se gostou de nosso texto sinta-se livre para assinar nossa newsletter e receber novidades sobre mais materiais.




