Por muito tempo os condomínios foram a grande solução para uma moradia sem invasões e furtos, oferecendo um espaço tranquilo para viver e áreas de lazer completamente seguras.
No entanto, a cada dia, notícias de assaltos a condomínios vêm sendo mais frequentes. Quadrilhas especializadas aproveitam-se das falhas de segurança das residências para realizar seus roubos. Mesmo sendo uma manobra arriscada, está se tornando mais comum, pois esses invasores conseguem entrar em várias casas seguidamente com um único golpe na segurança.
Isso acontece porque, por mais que os síndicos tentem manter o ambiente totalmente protegido, existem alguns erros que podem colocar tudo a perder.
Neste post falaremos sobre eles.
Não levar em conta os arredores
Ter segurança em seu condomínio não é simplesmente transformá-lo em uma fortificação intransponível.
Não tomar tanto cuidado com os arredores, quanto toma com a parte de dentro, é um dos maiores erros que um gestor pode cometer. Você deve estar ciente do ambiente em que seu condomínio está inserido!
Condomínios próximos de praças públicas; ruas com pouca ou nenhuma iluminação; próximos a redutores de velocidade ou em cruzamentos; condomínios humildes próximos a outros com maior prestígio, são residências que têm maior risco de serem invadidos.
E o risco se torna ainda mais evidente, principalmente, quando não é feito esse mapeamento da região para implantar as medidas de segurança ideais e necessárias.
Esse planejamento contribui para a instalação correta das câmeras – nos lugares e ângulos corretos – e dos sensores de alarmes, assim como para uma atenção redobrada nas partes do condomínio que são cercados por áreas de risco.
Esse mapeamento é raramente realizado e considerado, por isso é o primeiro grande erro de nossa lista.
Estética antes da segurança
Existem dois cenários para esse tópico.
O primeiro é baseado naquela conhecida frase que você provavelmente já ouviu: “na minha época era mais seguro, as crianças até podiam brincar na rua”.
Pois bem, por mais clichê que possa parecer, esse é um dos motivos para a falta de estrutura nos prédios mais antigos. Na época em que foram construídos, é dito que, não havia tanta necessidade e/ou preocupação com a segurança como há hoje. Assim as estruturas de segurança não eram tão consideradas.
Por mais digno de indignação que seja esse cenário, não é pior que o segundo.
O segundo cenário, são aqueles condomínios mais novos, em que seu arquiteto se preocupa mais com a estética do que com as medidas de segurança, seja por desleixo ou pura falta de conhecimento.
Um prédio considerado com uma boa estrutura são aqueles que:
- Tem uma guarita equipada com monitores, controles de acesso e estrutura completa com banheiro e mini-cozinha para que o funcionário não deixe o local, além de boa visão da rua e dos portões de garagem.
- Portões com trava automática.
- Cercas e muros com altura mínima de 3,5 m (com complemento de segurança eletrônica). A altura ideal varia dependendo do prédio.
Se o seu condomínio foi construído de forma a não seguir essas recomendações, o ideal é fazer uma bela reforma e colocá-las em prática. É um trabalho que vai dar um pouco de gastos para implantá-los, mas é o seu trabalho como gestor fazer os moradores e funcionários entenderem que são medidas necessárias e importantíssimas para a segurança do prédio.
Faça uma coisa de cada vez. Mantenha um orçamento como recomendamos no texto “Como economizar na manutenção do condomínio” e coloque prioridades na reforma.
Escolha qual elemento você vai implementar primeiro e analise se no mês seguinte o seu orçamento pode bancar outra reforma. Se não for possível no mês seguinte, verifique se poderá depois três, quatro, seis meses! O importante é fazer!
Nenhum gasto é mais caro que a segurança das pessoas.
Falta de Segurança Eletrônica
A segurança eletrônica é uma medida que deve ser tomada em todos os prédios sem exceção.
Dizemos isso, pois, muitas vezes, a segurança eletrônica é realizada de maneira ineficiente, por falta de interesse ou priorização por parte do gestor.
Os equipamentos eletrônicos devem conter no mínimo:
- Câmeras de gravação. Cobrindo todos os acessos ao condomínio, garagem, elevadores e, como dissemos no primeiro tópico, os arredores.
- Cercas elétricas, iluminação adequada (tanto dentro, quanto fora do condomínio) e portões eletrônicos.
- Sistema de alarmes. O ideal é colocar também botões de pânico em locais críticos e, principalmente, na guarita de segurança.
- Sistema biométrico, que permite o acesso apenas de pessoas cadastradas. Todos os fornecedores e prestadores de serviços devem ser devidamente cadastrados.
Segurança é o principal objetivo da portaria. Portanto, não investir em equipamentos para segurança de condomínio é um erro que pode custar caro. É dever do síndico garantir o acesso do porteiro a câmeras, sistemas de identificação, softwares que facilitem o controle de entrada e saída, entre outros equipamentos que auxiliem o seu trabalho e aumentem sua própria segurança assim como a dos residentes.
Mais uma vez são recomendações que podem custar um pouco mais para instalá-las, mas existe uma opção que pode ajudar a economizar na instalação desses elementos. A Portaria Virtual!
É um novo sistema que substitui o porteiro presencial do prédio pela vigilância a distância. Através de câmeras de segurança, sistema de identificação de moradores e conexão à internet, um funcionário da agência provedora do serviço, monitora seu condomínio da central da empresa.
Esse sistema, além de acabar com os eventuais erros humanos cometidos pelo porteiro, garante uma economia no orçamento do prédio, obtido também pela redução do quadro de funcionários.
Para saber mais sobre esse sistema veja nosso texto em que nos aprofundamos no assunto: “O que é portaria virtual e suas vantagens”
Desatenção com a portaria
É claro que, devido ao grande fluxo de pessoas, a portaria é um local que merece atenção redobrada dos gestores.
Permitir o uso de celulares, tablets, colocar televisão na guarita e outros eletrônicos que podem distrair o porteiro, aumenta a possibilidade de uma invasão. Outro erro comum é deixar que a portaria fique sem nenhum responsável mesmo que seja por alguns segundos.
Nós já produzimos um texto comentando detalhadamente cada erro cometido na portaria e dando soluções para cada um em “Como lidar com os erros na portaria”
Sem regras
Não estabelecer normas para os seus colaboradores, principalmente para o porteiro, é um grande pecado. Sem uma lista de regras é fácil eles se perderem e fazer algo prejudicial à segurança. Também é essencial estabelecer regras para os moradores, que podem interferir no funcionamento da portaria e nos demais serviços do condomínio.
Essas regras devem ser elaboradas com antecedência e constar tanto nos contratos dos colaboradores quanto nos contratos de mensalidade dos moradores. Assim, quando algumas das regras, ou várias, forem quebradas, o síndico pode utilizar o documento como base para tomar as atitudes necessárias.
É importante também, orientar os moradores sobre como cooperar com a equipe de segurança, por exemplo, com relação ao recebimento de visitas ou entregas; às formas de comunicação em situações de perigo; aos cuidados ao contratar serviços privados, entre outros cenários.
Além disso, também é preciso determinar ações emergenciais para qualquer situação, sejam elas invasões no condomínio, acidentes de trabalho, incêndios ou enchentes. Procedimentos emergenciais devem ser considerados e apresentados aos moradores e funcionários, para que todos saibam como se comportar em crises e, assim, garantir sua segurança.
Não estamos dizendo que não deve haver exceções nas regras! As exceções podem suprir possíveis lacunas nas regras estabelecidas. Entretanto, isso não quer dizer que você pode deixar as normas de lado a qualquer instante. É dever do síndico analisar as situações e determinar essas exceções.
Além disso, o processo de treinamento dos colaboradores deve ser contínuo. Se os colaboradores não forem terceirizados, em casos de substituição, os novos funcionários devem estar devidamente capacitados para assumir as novas funções, passando por um processo de integração devidamente estruturado.
Se a equipe for terceirizada, é importante cobrar da empresa responsável um planejamento de treinamento dos funcionários.
O que nos leva para o último erro.
Terceirizar considerando apenas os custos
A terceirização é uma ótima solução para garantir a segurança do condomínio e ainda delegar um pouco de responsabilidade como gestor.
Entretanto, se o processo de escolha não for bem feito o resultado pode ser um desastre.
Muitos gestores de condomínios, preocupados apenas em reduzir os custos, contratam empresas despreparadas, capazes até de não pagar e não treinar seus colaboradores corretamente, o que resulta em falta de responsabilidade dos colaboradores terceirizados; pouca eficiência; muita rotatividade do pessoal e, consequentemente, uma grande rotatividade no seu condomínio, entre outros problemas.
Para ajudá-lo a escolher a empresa de terceirização ideal para você, juntamos algumas dicas:
- Primeiramente detalhe as necessidades do seu prédio, seja limpeza, segurança ou manutenção, e relacione exatamente as tarefas que podem ser terceirizadas. Deve detalhar também as responsabilidades, rotinas e prazos. Só assim será possível buscar orçamentos e propostas realistas.
- Busque antecipadamente informações sobre a empresa terceirizada que está considerando contratar. Antecedentes, métodos, certificações, reputação, estrutura, indicações de outros clientes, depoimentos de como tratam os funcionários e os clientes, entre outros. É sempre bom também solicitar comprovantes de idoneidade financeira para garantir que a empresa está em dia com todas as suas obrigações fiscais e financeiras.
- Compare os orçamentos, tendo como base o detalhamento que você fez no início. Sabemos que um dos maiores motivos da terceirização é a redução de custos, mas sempre desconfie dos preços muito mais baixos que os dos concorrentes.
- Preste atenção para que o contrato de prestação de serviço seja bastante claro e contenha detalhadamente todas as responsabilidades e regras a serem obedecidas, por ambas as partes.
Neste texto apresentamos alguns erros cometidos na segurança do condomínio que o gestor pode modificar e melhorar. Se gostou do conteúdo e quer ser avisado quando novos conteúdos saírem, fique à vontade e assine a nosso newsletter!




