O papel do gestor da área de saúde pode ser muito desafiador, independentemente da instituição coordenada (laboratório, clínica, hospital, ou qualquer outro empreendimento na área de saúde). O cuidado em saúde envolve agentes e cenários específicos — o que demanda conhecimentos de outras áreas, para que o trabalho possa ser coordenado e alcance seu objetivo.
Um dos maiores problemas enfrentados na gestão em saúde é o desperdício. E isso diz respeito não só ao material, como também ao pessoal não capacitado, processos mal elaborados, movimentação inadequada e informações desorganizadas.
Para reduzir esses gastos, uma estratégia que vem crescendo — no Brasil e no mundo — é a adoção da gestão baseada no conceito Lean aplicada à área de saúde. Acompanhe o texto para saber mais sobre o Lean Hospital.
O que é Lean?
Lean é uma filosofia de gestão que se baseia nas práticas e resultados do Sistema Toyota, modelo desenvolvido e aplicado na indústria automobilística entre os anos de 1950 e 1990. O Sistema Toyota foi desenvolvido para melhorar a qualidade, reduzir os custos e diminuir o tempo de entrega por meio da eliminação do desperdício. Traduzido, o termo em inglês “lean” significa “enxuto”.
Nesse sentido, a essência do conceito Lean é a de criar estratégias para minimizar o desperdício institucional de forma contínua e resolver os problemas de maneira sistemática. Para isso, é preciso que os líderes e organizações repensem o gerenciamento e o desenvolvimento de pessoas.
O processo pode ser iniciado a partir de alguns questionamentos:
- Como melhorar o trabalho na instituição?
- Como desenvolver pessoas?
- Qual é o propósito?
- Que tipo de problema precisa ser resolvido?
- Que tipo de liderança é necessária?
Sua aplicação deve ser contínua, pois, ao instituir novos processos, algumas lacunas de habilidades e conhecimentos ficam explícitas — criando oportunidades para novas mudanças e desenvolvimento.
O Lean é focado na redução de 7 principais desperdícios:
- superprodução;
- tempo de espera;
- transporte;
- excesso de processamento;
- inventário;
- movimento;
- defeitos.
As principais vantagens da adoção do conceito lean pelas organizações são:
- redução de custos;
- maior qualidade, flexibilidade e rapidez das respostas;
- aumento da produtividade;
- diminuição dos defeitos;
- confiabilidade na detecção falhas
- redução de riscos;
- implantação de uma cultura de melhoria contínua.
Como essa filosofia se aplica na área da saúde?
Como citamos, o desperdício é um dos grandes problemas da área de saúde, pois causa impactos negativos não apenas na instituição, mas nos gestores, nos profissionais de saúde e nos pacientes atendidos. Desse modo, a aplicação do conceito Lean dentro dessas instituições é uma ferramenta valiosa para a melhoria da gestão interna, beneficiando todos os interessados — principalmente as pessoas que procuram tratamento e seus familiares.
Lean Hospital é uma forma contínua de identificação e solução de problemas, para reduzir gastos desnecessários na área de saúde. Os objetivos principais são: melhorar os processos e entregar um serviço de valor para os pacientes.
Os componentes do Lean Hospital são:
- pessoas: pacientes como o foco principal, a razão da existência de qualquer instituição de saúde — eles merecem ser valorizados e respeitados; profissionais da saúde como recursos preciosos da instituição; líderes e gestores como os componentes que direcionam a instituição para suas metas;
- processos: o conceito lean promove uma estratégia para mudanças dos processos baseados em métodos científicos;
- design: a transformação dos processos pode ter suporte e aceleração a partir de designs eficientes (das construções, das tecnologias, dos equipamentos).
O lean dentro dos hospitais — e outros setores da saúde — auxilia na obtenção de materiais adequados, no local correto e na quantidade certa, de forma a evitar o desperdício.
Sua aplicação se inicia com a identificação dos principais desperdícios da instituição. Por exemplo, em um hospital podem ser identificados:
- superprodução: produção em excesso de medicamentos manipulados em lotes grandes;
- tempo de espera: longas filas de espera para a realização de procedimentos ou exames eletivos;
- transporte: equipamentos cirúrgicos armazenados em locais distantes das salas operatórias;
- excesso de processamento: monitoramento excessivo do número de pacientes atendidos, duplicação de informação;
- inventário: grande quantidade de medicamentos armazenados dentro dos setores do hospital;
- movimento e defeitos: equipes de saúde, principalmente enfermeiros e médicos, caminham muito durante o turno de trabalho.
Quais as melhores práticas do Lean Hospital?
Trazemos, a seguir, algumas das melhores práticas de otimização com a utilização do Lean Hospital. Confira!
Definição de SLAs
A sigla SLA significa Service Level Agreement — ou Acordo de Nível de Serviço (ANS) — e diz respeito ao contrato estabelecido entre uma entidade que fornece algum serviço e o cliente beneficiado por esse serviço.
É um documento detalhado que contém as definições dos padrões e níveis esperados para os serviços. Desse modo, o cliente sabe o que esperar e o fornecedor sabe o que deve ser entregue em tempo, favorecendo a redução de possíveis conflitos. Na área de saúde, os SLAs devem ser firmados entre as instituições de saúde e seus fornecedores de medicamentos, equipamentos de saúde, e equipes de apoio — limpeza e coleta de lixo hospitalar, área administrativa, entre outros.
Minimização de desperdícios
A minimização de desperdícios é um dos principais objetivos do Lean Hospital. A meta é eliminar todas as atividades que não tem valor dentro das instituições de saúde, para aperfeiçoar o trabalho realizado e otimizar o uso dos recursos — principalmente em situações de escassez.
Algumas simples estratégias podem ser implementadas para reduzir desperdícios. Dentro de um hospital, por exemplo, é possível:
- armazenar equipamentos perto do seu local de uso, de modo a reduzir o tempo de transporte;
- organizar os medicamentos e materiais de acordo com a validade e de forma clara;
- contratar pessoal para realizar a transferência de pacientes e o transporte de exames, para otimizar o tempo dos profissionais de saúde.
Adoção da tecnologia
O uso da tecnologia na área de saúde traz diversos benefícios que têm como objetivo final aprimorar o trabalho em saúde e, consequentemente, melhorar a qualidade do atendimento nessas instituições. A tecnologia é um dos principais pilares do Lean Hospital, pois ela fornece recursos para auxiliar a agilizar os processos.
O uso de um software de gestão para instituições de saúde, por exemplo, é um meio prático de organizar documentos, reduzir o tempo de procura e diminuir retrabalhos. Outro exemplo é a digitalização de exames de imagem, possibilitando que os laudos sejam feitos à distância e reduzindo o tempo de entrega dos resultados.
Aplicar os conceitos de Lean Hospital em clínicas, laboratórios e hospitais auxilia na gestão da capacidade técnica e na otimização dos recursos — pessoais, materiais e financeiros.
Ficou interessado no assunto? Veja como melhorar ainda mais o atendimento em instituições de saúde e leia o nosso post sobre hotelaria hospitalar!




