{"id":2975,"date":"2021-07-21T08:00:00","date_gmt":"2021-07-21T11:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/morhena.com.br\/blog\/?p=2975"},"modified":"2021-08-11T17:06:30","modified_gmt":"2021-08-11T20:06:30","slug":"lixo-hospitalar-conheca-seus-impactos-na-saude-publica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/morhena.com.br\/blog\/?p=2975","title":{"rendered":"Lixo hospitalar: conhe\u00e7a seus impactos na sa\u00fade p\u00fablica"},"content":{"rendered":"\n<p>Res\u00edduos de servi\u00e7os de sa\u00fade, tamb\u00e9m conhecidos como res\u00edduos hospitalares ou <strong>lixo hospitalar<\/strong>, s\u00e3o qualquer detrito produzido por institui\u00e7\u00f5es de sa\u00fade, como hospitais, laborat\u00f3rios, farm\u00e1cias, consult\u00f3rios, ou qualquer outro lugar que haja perigo de transmiss\u00e3o de infec\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje iremos falar sobre o alto risco de contamina\u00e7\u00e3o que tais res\u00edduos podem causar aos seres humanos e ao meio-ambiente, j\u00e1 que os materiais hospitalares podem provocar e disseminar doen\u00e7as e alterar o solo e a \u00e1gua.<\/p>\n\n\n\n<h2><strong>Classifica\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Primeiro de tudo, para entender as consequ\u00eancias da m\u00e1 gest\u00e3o do <strong>lixo hospitalar<\/strong>, voc\u00ea deve entender primeiro quais s\u00e3o e como s\u00e3o produzidos esses res\u00edduos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A <strong>Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa)<\/strong> e o <strong>Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama)<\/strong>, estabelecem regras nacionais para a separa\u00e7\u00e3o, acondicionamento e tratamento desses res\u00edduos. Come\u00e7ando pela separa\u00e7\u00e3o dos mesmos em cinco classes. S\u00e3o elas:<\/p>\n\n\n\n<ul><li><strong>Grupo A \u2013 Potencialmente infectantes:<\/strong> s\u00e3o aqueles que cont\u00eam agentes biol\u00f3gicos e que apresentam risco de infec\u00e7\u00e3o como: bolsas de sangue contaminadas, membranas e excre\u00e7\u00f5es.&nbsp;<\/li><li><strong>Grupo B \u2013 Qu\u00edmicos:<\/strong> materiais que contenham subst\u00e2ncias qu\u00edmicas e que sejam capazes de causar risco a sa\u00fade humana, animal e ao meio ambiente, exemplos: res\u00edduos saneantes, desinfetantes e desincrustante; medicamentos para tratamento de c\u00e2ncer, reagentes para laborat\u00f3rio e subst\u00e2ncias utilizadas para revela\u00e7\u00e3o de exames.<\/li><li><strong>Grupo C \u2013 Rejeitos radioativos: <\/strong>materiais que possuam radioatividade em carga acima do normal, que n\u00e3o possam ser reutilizados, como: exames de medicina nuclear ou radioterapia.&nbsp;<\/li><li><strong>Grupo D \u2013 Res\u00edduos comuns:<\/strong> qualquer <strong>lixo hospitalar<\/strong> que n\u00e3o apresente estar contaminado, ou seja, sem a presen\u00e7a de riscos biol\u00f3gicos qu\u00edmicos e radioativos, como: gessos, luvas, gazes, materiais pass\u00edveis de reciclagem e pap\u00e9is.<\/li><li><strong>Grupo E \u2013 Perfurocortantes:<\/strong> os materiais que podem causar cortes e perfura\u00e7\u00f5es, como: agulhas, escalpes, lancetas e ampolas.&nbsp;<\/li><\/ul>\n\n\n\n<h2><strong>Riscos ambientais e biol\u00f3gicos<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Segundo um estudo feito pelo Hospital Albert Einstein, o maior risco ambiental do <strong>lixo hospitalar<\/strong> \u00e9 representado pelo chamado<strong> lixo infectante<\/strong>, que s\u00e3o representados pelos res\u00edduos com sangue, flu\u00eddos, secre\u00e7\u00f5es e excre\u00e7\u00f5es humanas; tecidos e pe\u00e7as anat\u00f4micas, tanto humana quanto animal; al\u00e9m de material proveniente de \u00e1reas de isolamento (como o que acontece com os pacientes do COVID-19).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O contato deste tipo de material com o ambiente pode provocar contamina\u00e7\u00f5es no solo, causando danos \u00e0 vegeta\u00e7\u00e3o, e na \u00e1gua, comprometendo rios, lagos e at\u00e9 mesmo len\u00e7\u00f3is fre\u00e1ticos.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 estabelecimentos que n\u00e3o fazem a separa\u00e7\u00e3o deste material, que acaba indo parar nos aterros sanit\u00e1rios com o lixo normal ou para a fossa.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro grande causador do problema s\u00e3o os res\u00edduos<strong> perfurocortantes<\/strong>, quando o descarte \u00e9 feito de forma incorreta e s\u00e3o levados para aterros comuns, ocasionam grandes riscos aos catadores de lixo, que podem ser contaminados com o contato desses materiais.<\/p>\n\n\n\n<p>A contamina\u00e7\u00e3o pelos <strong>lixos qu\u00edmicos<\/strong>, atualmente, chega at\u00e9 ao fundo do mar, como mostra o estudo da Universidade de Newcastle, no Reino Unido, que detalha o achado de res\u00edduos qu\u00edmicos proibidos em amostras de pequenos crust\u00e1ceos que residem nas zonas abissais.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEncontrar estas subst\u00e2ncias contaminantes em um dos locais mais escondidos e inacess\u00edveis da Terra nos faz perceber o impacto devastador a longo prazo do ser humano sobre o planeta\u201d, considera Alan Jamieson, pesquisador da Universidade de Newcastle.<\/p>\n\n\n\n<p>A coleta e descarte desse tipo de lixo, hoje em dia, fica sob responsabilidade dos pr\u00f3prios hospitais, mas n\u00e3o podemos jogar toda a culpa neles. Afinal, os rem\u00e9dios e itens de sa\u00fade que usamos no dia a dia tamb\u00e9m n\u00e3o podem ser jogados no lixo comum.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim sendo, devemos levar esses medicamentos aos pontos de coleta apropriados. Eles encontram-se em algumas farm\u00e1cias, hospitais e supermercados. Esse material recolhido, acondicionado segundo normas que variam em fun\u00e7\u00e3o do grau de periculosidade dos produtos, \u00e9 levado a um aterro pr\u00f3prio.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 os <strong>rejeitos radioativos, <\/strong>compostos por materiais diversos, expostos \u00e0 radia\u00e7\u00e3o; providos de laborat\u00f3rios de an\u00e1lises cl\u00ednicas, radioterapia e medicina nuclear, precisam receber tratamento pr\u00e9vio antes de serem armazenados, tanto de forma tempor\u00e1ria, quanto definitiva e n\u00e3o podem ser manuseados sem a obedi\u00eancia \u00e0s normas de seguran\u00e7a da Anvisa.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso porque, o risco deriva da exposi\u00e7\u00e3o ocupacional e daqueles que s\u00e3o expostos aos rejeitos das fontes seladas, quando descartadas. Enquanto est\u00e3o em uso os poss\u00edveis efeitos danosos da radia\u00e7\u00e3o produzida pelos aparelhos de hospitais podem ser determinados e os riscos evitados. Mas quando s\u00e3o estocados esses efeitos n\u00e3o podem mais ser determinados com tanta precis\u00e3o e podem causar danos \u00e0 sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p>O armazenamento correto dos res\u00edduos radioativos \u00e9 fundamental para que as pessoas n\u00e3o se contaminem. No armazenamento tempor\u00e1rio, o material n\u00e3o deve ficar diretamente no ch\u00e3o, mas em recipientes apropriados, resistentes e imperme\u00e1veis, de acordo com a NBR 9191\/2000 da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Normas T\u00e9cnicas (ABNT), al\u00e9m de ser proibido o seu esvaziamento ou reaproveitamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando o material \u00e9 recolhido por uma empresa especializada, geralmente ela mesma incinera o material. O destino dos res\u00edduos geralmente \u00e9 o solo, envolto em material adequado e recoberto com concreto, para n\u00e3o afetar as pessoas e nem o meio ambiente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, os<strong> res\u00edduos comuns<\/strong>, separados do resto dos res\u00edduos hospitalares, ficam sujeitos ao mesmo sistema de recolhimento do restante da cidade, indo parte para reciclagem e parte para a coleta normal, que inclui apenas o material org\u00e2nico destinado ao aterro sanit\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<h2><strong>PGRSS<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio que o pr\u00f3prio local de sa\u00fade fa\u00e7a um tratamento pr\u00e9vio do lixo. Por\u00e9m, \u00e9 importante haver, antes mesmo da coleta, um <strong>Plano de Gerenciamento de Res\u00edduos de Servi\u00e7os de Sa\u00fade (PGRSS<\/strong>), que estabelece crit\u00e9rios na separa\u00e7\u00e3o e no manuseio do <strong>lixo hospitalar<\/strong>, garantindo que o descarte seja feito de acordo com a classifica\u00e7\u00e3o dos materiais.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Todas essas subst\u00e2ncias s\u00e3o geralmente espalhadas pela natureza pelo descarte incorreto e as penalidades para as casas de sa\u00fade, e qualquer outro local que n\u00e3o siga os crit\u00e9rios aprovados pela Anvisa, podem variar desde a emiss\u00e3o de autua\u00e7\u00f5es e multas at\u00e9 a interdi\u00e7\u00e3o parcial, total ou permanente da organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de ficar atento \u00e0s normas, \u00e9 preciso realizar treinamentos constantes com os funcion\u00e1rios envolvidos com o manejo e descarte do lixo, explicando os riscos de contamina\u00e7\u00e3o e como utilizar as t\u00e9cnicas, os materiais e os equipamentos corretos para a limpeza hospitalar.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste texto falamos sobre os impactos dos res\u00edduos hospitalares na sa\u00fade p\u00fablica. Caso queira se aproximar mais nesse assunto, recomendamos nosso texto <a href=\"https:\/\/morhena.com.br\/blog\/quais-sao-os-principais-cuidados-na-coleta-de-lixo-hospitalar\/\">Quais s\u00e3o os principais cuidados na coleta de lixo hospitalar?<\/a>. Fique a vontade tamb\u00e9m para assinar nossa newsletter para receber mais conte\u00fados \u00fateis.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Res\u00edduos de servi\u00e7os de sa\u00fade, tamb\u00e9m conhecidos como res\u00edduos hospitalares ou lixo hospitalar, s\u00e3o qualquer detrito produzido por institui\u00e7\u00f5es de sa\u00fade, como hospitais, laborat\u00f3rios, farm\u00e1cias, consult\u00f3rios, ou qualquer outro lugar que haja perigo de transmiss\u00e3o de infec\u00e7\u00e3o. Hoje iremos falar sobre o alto risco de contamina\u00e7\u00e3o que tais res\u00edduos podem causar aos seres humanos e ao meio-ambiente, j\u00e1 que os materiais hospitalares podem provocar e disseminar doen\u00e7as e alterar o solo e a \u00e1gua. Classifica\u00e7\u00e3o Primeiro de tudo, para entender as consequ\u00eancias da m\u00e1 gest\u00e3o do lixo hospitalar, voc\u00ea deve entender primeiro quais s\u00e3o e como s\u00e3o produzidos esses res\u00edduos.&nbsp; A Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa) e o Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama), estabelecem regras nacionais para a separa\u00e7\u00e3o, acondicionamento e tratamento desses res\u00edduos. Come\u00e7ando pela separa\u00e7\u00e3o dos mesmos em cinco classes. S\u00e3o elas: Grupo A \u2013 Potencialmente infectantes: s\u00e3o aqueles que cont\u00eam agentes biol\u00f3gicos e que apresentam risco de infec\u00e7\u00e3o como: bolsas de sangue contaminadas, membranas e excre\u00e7\u00f5es.&nbsp; Grupo B \u2013 Qu\u00edmicos: materiais que contenham subst\u00e2ncias qu\u00edmicas e que sejam capazes de causar risco a sa\u00fade humana, animal e ao meio ambiente, exemplos: res\u00edduos saneantes, desinfetantes e desincrustante; medicamentos para tratamento de c\u00e2ncer, reagentes para laborat\u00f3rio e subst\u00e2ncias utilizadas para revela\u00e7\u00e3o de exames. 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